quarta-feira, setembro 24, 2008


Vernon Trent

esgotadas as palavras
contemplo
te

e contemplar
não é olhar nem ver
te

é sentir-te bem por dentro

Mateo

quinta-feira, setembro 18, 2008


Alejandra Chaverri

Se você não demorar muito posso esperá-lo por toda a minha vida .

Oscar Wilde

sábado, setembro 13, 2008


helena margarida pires de sousa

Vivo de um segredo que se irradia em raios luminosos que me ofuscariam se eu não os cobrisse com um manto pesado de falsas certezas.

Clarice Lispector

segunda-feira, setembro 08, 2008

memória


Darren Holmes

e vinha a luz
e guardava-te

e eu guardava-te
também

em lugares mais seguros
que fotografias
ou poemas

gil t. sousa

quinta-feira, agosto 28, 2008


Mariah

Chamo-te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.


Sophia

terça-feira, agosto 12, 2008


Szara Reneta


(quero-te assim

longínquo e doce

terno e ausente)


só posso desejar-te nas palavras



Maria Aurora Carvalho Homem

segunda-feira, julho 14, 2008


Rui Pedro Queiroz


e se nas mãos fechadas

as grandes portas se abrissem


e passasses tu

como este silêncio passa!


Gil T. Sousa

quarta-feira, julho 09, 2008


Fima Gelman


Hei de morrer em ti...

Num espanto feroz, feito de febre e fúria,

Feliz pelo que tive, amante enquanto dure...


Renata Pallottini

domingo, junho 22, 2008


Yuri Bonder


Si me quieres, quiéreme entera,

no por zonas de luz o sombra...

si me quieres, quiéreme negra

y blanca. Y gris, y verde, y rubia,

quiéreme día,

quiéreme noche...¡

Y madrugada en la ventana abierta!

si me quieres, no me recortes:


¡quiéreme toda... o no me quieras!


Dulce María Loynaz

segunda-feira, junho 16, 2008


Angelica

Veio, devagar, um pássaro

sobrevoar minhas mãos

tão adiadas das tuas.

Refaço a espera.

Digo o teu nome para que voltes.


Graça Pires

terça-feira, junho 03, 2008

a espera


Jardis Koppe


havia apenas o mar nos olhos, uma vaga aflição e a espera amorosamente tecida nas canções,
quando a lâmina tirou-lhe a voz da garganta e o oceano do peito. de um só golpe decepou-lhe a
realidade e o sonho.


todas as justificativas para a dor são injustificadas quando o amor é óbvio e olha com olhos de
esperança. recapitulados os dias perfeitos, impecáveis, indescritíveis dias de fascínio, nada mudou.
como se um furacão de acontecimentos não a tivesse surpreendido.


"entre as quatro paredes do meu peito, só eu sei. só eu sei o que espero e o que desespero", foi a
única pista rara vez sussurrada a alguém.


no mais, permanece sentada à mesma janela de sempre. diz coisas incompreensíveis vez em
quando. lê um livro.ouve música. olha em torno como se acordasse do sono, entoa alguma canção
qualquer, vai e volta, sorri, diz às pessoas coisas gentis, prováveis. mas permanece lá, nas noites
inquietas, a conversar com ele que já não está. a espera, o desespero, raramente visíveis.

na sala, no quarto, no corpo, em todo lado os sinais da vida desfeita, que só ela sabe.

silvia chueire

segunda-feira, maio 26, 2008


Joanna Nowakowska

“Há palavras que nasceram para serem ditas.Mesmo que não queiramos, nos tapem a boca e nos desliguem os sentidos. Elas gatinham até à ponta da língua, agarram-se aos lábios, lutam desesperadamente com a porta trancada a sete chaves, mas acabam por ver a luz do dia. Não há nada a fazer.”


M.A.

quinta-feira, maio 22, 2008


Bogdan Jarocki

Dentro do meu sono ainda me perturba
a tua imagem, miragem do meu deserto
vencido, demora da minha espera...


Graça Pires

domingo, maio 11, 2008




Aprende-se a viver com isto(...)

E a achar normal e previsível que o telefone não toque, as notícias não cheguem e que a vida continue apesar de. Aprende-se a viver com isto, com o teu ectoplasma quase colado à minha pele, sem teres para onde fugir nem parede para a qual te virares, quando dispo as minhas flanelas e entro na noite de rompão, fingindo que não é para ti que fico nua no escuro.

Um amor atrevido

Obrigada, a.

domingo, abril 20, 2008

domingo



domingo os meus olhos dormem de ti
as horas andam lentamente sob a chuva

adormecida a urgência
o mundo descansa pacífico

- quase não respira -

silvia chueire

quarta-feira, abril 16, 2008

carta de amor


Paulo Cesar
...

Despi-me... vê se me queres,
Despi-me com impudor,
Que é irmão do desespero.
Vê se me queres,
Sabendo que te não quero,
Nem te mereço,
Nem mereço ser amado
Pela pior
Das mulheres...
Poderás amar-me assim, (como explicar-me?!)
Por qualquer cousa que eu for,
Mas não por mim!
Não a mim...!

José Régio

quinta-feira, abril 03, 2008

sinal de fumaça



algumas gotas e a sede se abranda
quebra-se a secura das ausências
não precisa ser carta ou telegrama
envia-me uma letra e saberei
se ainda me amas

líria porto

sábado, março 29, 2008


Zoya Mihunova

Salta com a camisa em chamas
de estrela em estrela,
de sombra em sombra.
Morre de morte longínqua
a que ama ao vento.

Alejandra Pizarnik

quarta-feira, março 26, 2008


Bogdan Jarocki

agora
nesta hora inocente
eu e aquela que fui sentamo-nos
no limiar do meu olhar


Alejandra Pizarnik

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

devaneio


Bogdan Jarocki

Ligas-me, e eu não atendo, poupo-te ao embaraço e ao inferno das explicações, aos olás de circunstância, deixo que toques e toques e que vás por fim parar às mensagens. Ligas-me, e eu espero, desejo e espero, que despejes para um gravador o teu erro, o teu tédio, o teu gozo, os pedidos, as desculpas, as incríveis novidades do mundo ou, quem sabe, a precisão dos beijos empoeirados que esqueceste e deixaste em mim.

Vieira do Mar,
aqui