domingo, abril 20, 2008

domingo



domingo os meus olhos dormem de ti
as horas andam lentamente sob a chuva

adormecida a urgência
o mundo descansa pacífico

- quase não respira -

silvia chueire

quarta-feira, abril 16, 2008

carta de amor


Paulo Cesar
...

Despi-me... vê se me queres,
Despi-me com impudor,
Que é irmão do desespero.
Vê se me queres,
Sabendo que te não quero,
Nem te mereço,
Nem mereço ser amado
Pela pior
Das mulheres...
Poderás amar-me assim, (como explicar-me?!)
Por qualquer cousa que eu for,
Mas não por mim!
Não a mim...!

José Régio

quinta-feira, abril 03, 2008

sinal de fumaça



algumas gotas e a sede se abranda
quebra-se a secura das ausências
não precisa ser carta ou telegrama
envia-me uma letra e saberei
se ainda me amas

líria porto

sábado, março 29, 2008


Zoya Mihunova

Salta com a camisa em chamas
de estrela em estrela,
de sombra em sombra.
Morre de morte longínqua
a que ama ao vento.

Alejandra Pizarnik

quarta-feira, março 26, 2008


Bogdan Jarocki

agora
nesta hora inocente
eu e aquela que fui sentamo-nos
no limiar do meu olhar


Alejandra Pizarnik

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

devaneio


Bogdan Jarocki

Ligas-me, e eu não atendo, poupo-te ao embaraço e ao inferno das explicações, aos olás de circunstância, deixo que toques e toques e que vás por fim parar às mensagens. Ligas-me, e eu espero, desejo e espero, que despejes para um gravador o teu erro, o teu tédio, o teu gozo, os pedidos, as desculpas, as incríveis novidades do mundo ou, quem sabe, a precisão dos beijos empoeirados que esqueceste e deixaste em mim.

Vieira do Mar,
aqui

segunda-feira, fevereiro 18, 2008


Fabio Keiner

e posso permanecer em silêncio
de olhos bem abertos
sem ousar mover-me

um centímetro que seja


Fernando Dinis

domingo, fevereiro 10, 2008


Margarida Delgado

Era demasiado amor. Demasiado grande, demasiado confuso e arriscado, e fecundo, e doloroso. Tanto quanto eu podia dar, mas mais do que me convinha. Por isso se desmoronou. Não se esgotou, nem se acabou, nem morreu, desmoronou-se apenas, veio abaixo como uma torre demasiado alta, como uma aposta demasiado alta, como uma esperança demasiado alta.

Almudena Grandes

domingo, janeiro 27, 2008

última


Bogdan Jarocki

uma última palavra ...
martela os minutos

uma palavra esculpida

pelo vento


adeus


Silvia Chueire

quarta-feira, janeiro 16, 2008


Sabine Love

hoje não me evado do silêncio
deixo-me nele
numa nostalgia estúpida do que não

nada espero

silvia chueire

terça-feira, janeiro 08, 2008


Zoya Mihunova

...
eu poderia morrer agora e deixar-te escrito que te preciso


Fernando Dinis

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Quando a lua vier tocar-me o rosto


Philippe Pache

Quando a lua vier tocar-me o rosto
terás partido do meu leito
e aquele que procurar a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
por sobre o teu nome.


Ana Hatherly

terça-feira, dezembro 18, 2007


Mietek Kalinowski


...tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração

José Tolentino Mendonça

sexta-feira, dezembro 14, 2007


vladimir

Será que te lembras? será que me lembro?

Teresa Balté

terça-feira, dezembro 11, 2007


Maria Bogdanova

A distância do meu corpo ao teu grito
corresponde à do teu sopro ao meu ouvido

eis a anatomia do silêncio

Teresa Balté

quarta-feira, dezembro 05, 2007


Tracye Shearin

Quando amanhece penso:
Encontro-te no vento...

...

amanhã alegro-me de novo:
Imagino a floresta, parto o espelho
e recomeço a ir ao teu encontro.



Teresa Balté

quinta-feira, novembro 22, 2007


Jaeda De Walt

só com a linguagem dos corpos
consigo responder à letra
ao teu silêncio



Fernando Diniz

terça-feira, novembro 20, 2007


Barteczko,Michal

Entras como um punhal
até à minha vida.
Rasgas de estrelas e de sal
a carne da ferida.

Dá-me um beijo ou a morte...

Fernando Echevarría

quarta-feira, novembro 14, 2007


karol liver

Olá. (Tenho saudades.) Hoje lembrei-me de ti, não (tenho feito outra coisa ) imagino porquê. Que tal almoçarmos (agora ) um dia destes? Apetece-me (corromper-te com beijos) conversar contigo. Lanchar, se te der mais jeito e (desvirginar o teu silêncio com a minha língua )ouvir-te falar. Preciso de saber (que ainda me queres) o que tens andado a ler. Já nem sei o que te costumava dizer, mas (ainda soletro de cor as palavras com que me vestiste) que não seja por isso: o exercício (do amor) da amizade é como andar de bicicleta. Sei que tens muito trabalho (quero lá saber) e que mal te lembras de mim (atreve-te a esquecer-me). Mas, para um (amor) amigo, arranjamos sempre um bocadinho. Uma (vida) hora, é só o que te peço. Naquele hotel da baixa, o que tem (o quarto) a esplanada de frente para o rio, lembras-te? Em não podendo ser, (morro) deixa estar. Talvez para a próxima (reencarnação).

Roubado aqui

sábado, novembro 10, 2007

breve encontro


Scott Murdoch

Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida

Sophia de Melo Breyner Andersen