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Bogdan Jarocki
Ligas-me, e eu não atendo, poupo-te ao embaraço e ao inferno das explicações, aos olás de circunstância, deixo que toques e toques e que vás por fim parar às mensagens. Ligas-me, e eu espero, desejo e espero, que despejes para um gravador o teu erro, o teu tédio, o teu gozo, os pedidos, as desculpas, as incríveis novidades do mundo ou, quem sabe, a precisão dos beijos empoeirados que esqueceste e deixaste em mim.
Vieira do Mar, aqui
Fabio Keinere posso permanecer em silêncio
de olhos bem abertos
sem ousar mover-me
um centímetro que seja
Fernando Dinis
Margarida Delgado
Era demasiado amor. Demasiado grande, demasiado confuso e arriscado, e fecundo, e doloroso. Tanto quanto eu podia dar, mas mais do que me convinha. Por isso se desmoronou. Não se esgotou, nem se acabou, nem morreu, desmoronou-se apenas, veio abaixo como uma torre demasiado alta, como uma aposta demasiado alta, como uma esperança demasiado alta.
Almudena Grandes
Bogdan Jarocki
uma última palavra ...martela os minutosuma palavra esculpidapelo ventoadeus
Silvia Chueire
Sabine Love
hoje não me evado do silêncio
deixo-me nele
numa nostalgia estúpida do que não
nada espero
silvia chueire
Zoya Mihunova
...eu poderia morrer agora e deixar-te escrito que te precisoFernando Dinis
Philippe Pache
Quando a lua vier tocar-me o rosto
terás partido do meu leito
e aquele que procurar a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
por sobre o teu nome. Ana Hatherly
Mietek Kalinowski
...tivesse ainda tempo e entregava-teo coraçãoJosé Tolentino Mendonça
vladimir
Será que te lembras? será que me lembro?Teresa Balté
Maria Bogdanova
A distância do meu corpo ao teu gritocorresponde à do teu sopro ao meu ouvidoeis a anatomia do silêncioTeresa Balté
Tracye Shearin
Quando amanhece penso:
Encontro-te no vento... ...amanhã alegro-me de novo:
Imagino a floresta, parto o espelho
e recomeço a ir ao teu encontro.Teresa Balté
Jaeda De Walt
só com a linguagem dos corposconsigo responder à letraao teu silêncioFernando Diniz
Barteczko,MichalEntras como um punhalaté à minha vida.Rasgas de estrelas e de sala carne da ferida.Dá-me um beijo ou a morte...Fernando Echevarría
karol liver
Olá. (Tenho saudades.) Hoje lembrei-me de ti, não (tenho feito outra coisa ) imagino porquê. Que tal almoçarmos (agora ) um dia destes? Apetece-me (corromper-te com beijos) conversar contigo. Lanchar, se te der mais jeito e (desvirginar o teu silêncio com a minha língua )ouvir-te falar. Preciso de saber (que ainda me queres) o que tens andado a ler. Já nem sei o que te costumava dizer, mas (ainda soletro de cor as palavras com que me vestiste) que não seja por isso: o exercício (do amor) da amizade é como andar de bicicleta. Sei que tens muito trabalho (quero lá saber) e que mal te lembras de mim (atreve-te a esquecer-me). Mas, para um (amor) amigo, arranjamos sempre um bocadinho. Uma (vida) hora, é só o que te peço. Naquele hotel da baixa, o que tem (o quarto) a esplanada de frente para o rio, lembras-te? Em não podendo ser, (morro) deixa estar. Talvez para a próxima (reencarnação).Roubado aqui
Scott Murdoch
Este é o amor das palavras demoradasMoradas habitadasNelas moraEm memória e demoraO nosso breve encontro com a vidaSophia de Melo Breyner Andersen
Suspensa sem ti , está a minha vida. Suspensa de ti.Suspensa.
Fima Gelman
... se é para morrerque seja como o amor:tanto e sempreque não será derradeira a última vez...Mia Couto
Marta Bauza
Todas as vidas gasteipara morrer contigo.E agoraesfumou-se o tempoe perdi o teu passopara além da curva do rio.Rasguei as cartas.Em vão: o papel restou intacto.Só os meus dedos murcharam, decepados.Queimei as fotos.Em vão: as imagens restaram incólumese só os meus olhos se desfizeram, redondas cinzas.Com que roupavestirei minha almaagora que já não há domingos?Quero morrer, não consigo.Depois de te vivernão há poentenem o enfim de um fim.Todas as mortes gasteipara viver contigo.Mia Couto
Michele Clement
...e foi por isso que nessas noites morri muitas vezesenquanto as secretas palavras de adeus alastravampela foz do teu desejoe a minha pele se despiavagarosamente da tuaAlice Vieira
Alejandra Chaverri
faz-se tardee eu deixei de esperar-te.todos os portos se fecham sobre mime a floresta adensa-se.nenhuma clareira se abre à passagem dosanimais e do homem antigo.são 4 horas na manhã de todos os relógios.José Agostinho Baptista,