quarta-feira, outubro 25, 2006


Maria Simas

Si

crees que es paciencia, resignación, inmunidad o anestesia te
equivocas. Es que he procurado cortar todas las margaritas
para no tener que interrogarlas.

Ana Rossetti

sistermoon

Dolor
por estar contigo en cada cosa. Por no dejar de estar contigo en cada cosa. Por estar
irremediablemente contigo
en mí.

Ana Rossetti

terça-feira, outubro 24, 2006


Christian Harkness

O que sinto por ti é como ter contraído malária: o bicho está cá dentro e volta e meia manifesta-se, apesar dos cuidados profiláticos que faço questão de ter, antes de cada viagem. Aliás, a profilaxia induz, ela própria, sintomas ligeiros da doença que é suposto prevenir e é por essa razão que as cautelas e os caldos de galinha, que engulo a horas certas, não me evitam suores frios, febres súbitas e tremuras, face à hipótese remota da tua presença no meu metro quadrado.

Um amor atrevido

domingo, outubro 22, 2006


sweetcharade

já não te aguardo,
adio-me

valter hugo mãe

quinta-feira, outubro 19, 2006


Sistermoon

É noite nos meus olhos.

E nos teus ainda
se sente a água?
Cego vou para teus braços
e não sei quem és

... de amor
por ti nunca direi
como te quero.

Helder Moura Pereira



terça-feira, outubro 17, 2006

Um olhar não basta - II


Jonathan Kane

Talvez a vida esteja sempre incompleta e incompleta ficou depois de te conhecer. Apesar de lhe teres acrescentado o teu olhar. E palavras de sentidos ocultos. Sempre com um sabor de fruto proibido. Sempre a deixar um rasto amargo-doce. Por isso o teu olhar e as tuas palavras são diferentes de tudo o que eu conheço e conheci. E foi nesse desconhecido que mergulhei e me perdi.


Maria José Quintela

segunda-feira, outubro 16, 2006

Um olhar não basta - I


sophie thouvenin

Não sei a hora a que chegaste. Se era noite ou se era dia. Se havia sol ou chovia. Não te esperava. Desta vez os sonhos não me avisaram. Por isso, quando te vi pela primeira vez, não sabia ainda que ias cruzar o meu caminho.
Se eu conhecesse o teu mapa interior, talvez me avisasse e preparasse para me desviar e passar-te ao lado. Mas eu estava desprevenida e os meus olhos buscam sempre o que não conheço. A verdade é que não me importo que te tenhas insinuado só para eu te ver. Talvez fosse mesmo inevitável olhar para ti e ficar surpreendida por me descobrir aí. Como se se tratasse de uma paragem obrigatória.

Maria José Quintela

sexta-feira, outubro 13, 2006


Fima Gelman

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho...

Mafalda Veiga

quinta-feira, outubro 12, 2006


Jim Lasher

O amar e o amor de quando em vez desencontrados, normalmente desencontrados.
Dois mundos que se não tocam. Por cada amor há alguém que ama e alguém amado, à vez. O amar e o amor. Puxar uma corda sem que alguém resista no outro extremo. Amar é perder a vez de ser amada. Mas quando sou e se porventura sou então descanso e aproveito. O amar e o amor, dois mundos que se não tocam. Quem me quer amante e eu que me quero sempre amada (não queremos todos?). Saber-te amante e ao mesmo tempo amar-te com todo o amor que consiga. Amares-me também até doer. Amar-te e por isso desejar que vás primeiro para que não sintas a minha falta, ou antes desejar ser eu a ir primeiro porque eu me sei incapaz de aqui ficar sem ti, de viver sem ti. Dois mundos que se não tocam. O amor e amar, amar e não apenas ser amável, dois mundos.

Roubado uma vez mais, aqui

terça-feira, outubro 10, 2006


sophie thouvenin

Ler-te é ao mesmo tempo um exercício de cobardia e de coragem. A cada palavra tua arrebanho-me aos bocadinhos, apanho-me do chão uma e outra vez, varro-me da tua vida. Golpeio-me os rins, mal me dou a vasculhar-te as memórias com a minúcia de um arqueólogo, como se com isso ficasse a saber mais alguma coisa de ti. Como se a tua permanência na minha retina não fosse já claustrofóbica que chegasse, impedindo-me de respirar os dias. Às vezes, parece-me que te enches de palavras só para te esvaziares de mim (eu sei que não).


Roubado aqui

domingo, outubro 08, 2006

encerrar o mundo


Jurgen kirchhoff

tu me olhavas com o céu no olhar
o desejo a tocar-me
por entre as palavras
podias dar-me a mão
ou levares-me no colo
tudo seria um precipício


eu a deslizar no teu corpo
ou a deixar-me atravessar por ele
...
o mundo encerrado em nós

silvia chueire

terça-feira, outubro 03, 2006

meu amor


Sweetcharade

meu amor não tem coerência.

meu amor é desconcertante.


...sobretudo,
meu amor ainda não esqueceu
de te recordar.


Alexandre Inagaki

domingo, outubro 01, 2006


Scott Murdoch

...de ti não espero amarras nem promessas
É livre que te quero neste cais
...

Ana Vidal

quarta-feira, setembro 27, 2006

O Piano



Decifra-me.
Se me queres,
tenta-me.
Há portas que estão
apenas aparentemente
fechadas. Abre-as.
Uma delas dá acesso a
uma sala e dentro dela
há um piano. Entra.
E toca-me.
Se teus dedos produzirem
música, terás
me aprendido.

Nalú Nogueira

terça-feira, setembro 26, 2006


Christian Harkness

O meu passaporte

são as tuas mãos; o mapa que nos guia,
a respiração incerta do desejo. «Por
isso me perco», dizes. «Por isso te
encontro», respondo. E a noite que
nos separa é o dia que nos reúne.

Nuno Júdice aqui

segunda-feira, setembro 25, 2006

Sortilégio


Paulo Bénard Guedes

Primeira estrela que eu vejo,
dai-me tudo o que eu desejo.
Se o cachorro latir, ele me ama.
Se a bicicleta passar, ele me odeia.
Se a porta bater, ele está pensando em mim.

Fecho os olhos.

Silvana Guimarães

domingo, setembro 24, 2006

das marés


Gerhardt Thompson

és maré-viva de setembro
numa atracção de sol com lua
que me arrasta contra a maré num cais
a que me acosto e amarro nuas as cordas

daniel

sábado, setembro 23, 2006

Metade


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio...

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, setembro 20, 2006

hoje


Rita Isabel

hoje alguma coisa se perdeu
como a chuva que a terra bebeu
solene silêncio
do velho relógio parado
lençóis sobre móveis imaginários

hoje entrou o meio-dia e o fim de tarde
o tempo esgarçou as horas
amordaçou palavras
enterrou estrelas no fundo do mar

Andrea Augusto





sábado, setembro 16, 2006

Sonho


Larissa Grandi

Sonhei o teu corpo ao acordar,
Acho que dormi contigo nas mãos.

Encandescente